Arqueólogos espanhóis encontraram em uma câmara de túmulo em Luxor mais de vinte corpos mumificados, abrangendo um período de mais de trezentos anos. A descoberta, detalhada em estudo, revela como os ritos funerários mudaram, mas mantiveram um planejamento cuidadoso.
A câmara três do túmulo TT 209, na Necrópole Tebana, contém os restos mortais. A pesquisa, conduzida por uma equipe da Universidade de La Laguna, analisou nove depósitos funerários, incluindo sepultamentos individuais e coletivos. Os achados mostram que a disposição dos corpos refletia uma lógica espacial, adaptando novas deposições à presença de indivíduos anteriores.
Os primeiros indivíduos sepultados no local eram de alta posição social, pois foram colocados em caixões com amuletos e objetos caros, conforme explicou Miguel Ángel Molinero Polo. Em um caso, um cão mumificado foi posicionado sobre um homem e uma mulher, o que os pesquisadores consideram um possível laço afetivo.
Com o passar do tempo, especialmente durante o período persa, a tradição mudou. Quase dois terços dos falecidos em TT 209 foram arranjados verticalmente, diferentemente dos sepultamentos individuais iniciais. Contudo, Molinero Polo afirmou que isso não indica desrespeito aos mortos, pois muitos corpos posteriores ainda apresentavam os braços cruzados, na posição osírica.
Os pesquisadores concluíram que os depósitos antes classificados como desordenados podem ser reavaliados. O estudo indica que o cuidado e o respeito permaneceram constantes nas práticas funerárias egípcias por séculos.


