A Universidade Federal de Viçosa (UFV) inaugurou na tarde desta terça-feira, dia 18, o primeiro Banco Ativo de Germoplasma de Cannabis sativa L. em uma universidade pública do Brasil. A instalação, localizada no campus de Viçosa, em Minas Gerais, serve para preservar variedades da planta e fornecer material genético para estudos científicos.
O banco já abriga 68 variedades da biodiversidade brasileira e tem como meta alcançar 500 tipos, incluindo espécimes de outros países. A iniciativa busca identificar características genéticas distintas e realizar cruzamentos que gerem variedades específicas para fins medicinais, agrícolas ou industriais. O projeto ocupa uma área de quase um hectare, no Vale da Agronomia, e conta com monitoramento constante devido ao potencial psicoativo da planta.
Segundo o professor Derly Henriques da Silva, responsável pelo projeto, conhecer a diversidade genética é o passo inicial para mapear os potenciais da planta. A UFV utiliza essa estrutura, que se assemelha a uma biblioteca genética, para catalogar e preservar as variedades. Os pesquisadores poderão comparar características e buscar traços desejáveis, como maior adaptação a solos específicos ou maior potencial farmacêutico.
A planta, que inclui cânhamo e maconha em seu gênero, é estudada por diversos usos. Enquanto as flores concentram canabinoides para a indústria farmacêutica, o caule e as folhas podem ser usados para fibras, papel e bioplásticos. Ademais, a UFV investiga o uso da Cannabis na recuperação de áreas degradadas, como solos contaminados por metais pesados.
A implantação do banco ocorreu após medidas judiciais obtidas pela UFV em 2024. O projeto recebeu apoio financeiro por convênio com a empresa Cannabreed Technology Brasil Ltda. A universidade prevê que o banco possa impulsionar o surgimento de empresas de base tecnológica na região, transformando a planta em uma nova commodity agrícola.


