Em Divinópolis, 34.018 eleitores deixaram de escolher um candidato a presidente nas eleições de 2022, somando abstenções, votos brancos e nulos. Esse contingente representa 21,7% do eleitorado apto a votar, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O volume de não participação levanta questionamentos sobre o engajamento político local.
Os dados do TSE indicam que o alto índice de não escolha se mantém em Divinópolis há pelo menos três eleições presidenciais consecutivas. No primeiro turno para presidente, os números foram: 2014 com 33.491 eleitores (22%), 2018 com 42.077 eleitores (25,8%) e 2022 com 37.018 eleitores (21,7%).
O professor Moacir de Freitas Júnior, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), comentou que os índices de abstenção estão estáveis historicamente. Ele explicou que o voto branco e nulo é computado como voto, encerrando uma decisão política de não apoiar nenhuma opção.
A socióloga Alecilda Oliveira apontou que o desengajamento pode refletir um sentimento antipolítica crescente. Ela disse que a figura do senador, por ser vista como mais distante do cotidiano, contribui para o aumento de votos nulos e brancos em cargos menos conhecidos.
A especialista avalia que o crescimento da ausência eleitoral sinaliza uma “democracia participativa em erosão”. Moacir de Freitas Júnior complementou que fatores como polarização e a falta de propostas claras afastam o eleitor da crença no poder transformador do voto.

