Um terço dos reconhecimentos de paternidade no Brasil acontece após a primeira infância, segundo levantamento da Arpen-Brasil. Os dados, referentes a 2014 até junho deste ano, apontam que 36,2% dos registros ocorrem após o filho completar seis anos. O estudo totalizou 327.869 casos, destacando a importância do direito à identidade.
A formalização da paternidade, segundo Devanir Garcia, presidente da Arpen-Brasil, garante identidade, cidadania e segurança jurídica, pois esse direito não tem prazo de exercício. Paralelamente, pesquisa do Instituto Locomotiva e do QuestionPro revelou que quatro em cada dez entrevistados não conviveram com pai ou figura paterna durante a infância e adolescência.
O promotor Maximiliano Führer, que desenvolveu o projeto “Encontre seu pai aqui” em São Bernardo do Campo, explica que o programa, em parceria com o Poupatempo, auxilia na busca de filiação. Ele afirma que a falta de recursos financeiros dificulta o registro, especialmente em famílias de baixa renda.
José Eustáquio Diniz Alves, pesquisador aposentado do IBGE, associou a ausência de reconhecimento paterno à armadilha da pobreza. Ele declarou que filhos de famílias monoparentais pobres enfrentam maiores dificuldades de permanência escolar e inserção no mercado de trabalho, sofrendo prejuízos em renda e apoio emocional.

