O uso de adjetivos sofisticados e expressões genéricas em currículos pode prejudicar candidatos em processos seletivos ao não fornecer evidências concretas de competência. Segundo a psicóloga Ana Luiza Melo, profissional de Recursos Humanos com 13 anos de experiência, recrutadores buscam provas práticas de que as qualidades afirmadas existam na trajetória profissional.
Termos como “perfeccionista”, “proativo”, “comunicativo” e “líder nato” aparecem com frequência em objetivos profissionais. Para a especialista, essas características tornam-se genéricas quando apresentadas apenas como afirmações, sem que o candidato demonstre como elas se aplicam na prática.
A estratégia recomendada é priorizar informações objetivas. Em vez de declarar que é “extremamente organizado”, o profissional deve apresentar as atividades que desempenha, os processos que conduziu e as ferramentas ou sistemas que domina. O objetivo é permitir que o recrutador interprete as competências a partir das experiências.
Melo exemplifica que, ao listar a condução de 50 vagas simultâneas, o recrutador deduz a organização do candidato sem que a palavra seja escrita. Ela afirma que o mercado rejeita a “receita de bolo”, que consiste no uso de frases prontas e comuns, sem adaptação à trajetória real de quem busca a vaga.
Até o campo de objetivo profissional deve ser reformulado. A orientação é descrever a área de atuação e as principais atividades dominadas, substituindo a sequência de adjetivos por descrições do que o profissional é capaz de entregar.
A recomendação final é que características pessoais sejam demonstradas de maneira indireta. Um candidato que deseja provar proatividade, por exemplo, deve relatar uma situação em que tomou a iniciativa para solucionar um problema específico, focando no que faz e nos resultados comprovados.

