A Vale confirmou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que pagará uma compensação financeira ao ex-presidente do conselho de administração, Daniel Stieler. O executivo renunciou ao cargo no início de julho após pressão da Previ, fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil. A autarquia abriu processo para investigar o caso.
A mineradora justificou o pagamento como parte de um contrato de não competição, não solicitação, não difamação e confidencialidade com duração de 24 meses. Segundo a companhia, o acordo é necessário devido ao acesso do ex-conselheiro a informações estratégicas. A empresa reconheceu, contudo, que sua política de remuneração não prevê benefícios de cessação de cargo, classificando o contrato como um instrumento extraordinário.
O processo na CVM foi iniciado após questionamento de um investidor sobre o cumprimento da Lei das Sociedades por Ações, que veda atos de liberalidade com recursos da companhia. A Vale não divulgou o valor da compensação, mas informou que os montantes foram validados por uma empresa externa. Em 2025, o executivo recebeu R$ 3,2 milhões em remuneração.
A Previ, maior acionista individual da mineradora, buscava a saída de Stieler e a indicação de um novo nome para o conselho. O mandato do ex-presidente venceria apenas em abril de 2027. A fundação indicou Manuel Lino Oliveira para a presidência do colegiado, visando fomentar a independência na governança da Vale.

