O mercado imobiliário horizontal de Goiânia e região registrou aumento de 18% nas vendas no segundo trimestre de 2026. Contudo, o número de novos lançamentos caiu, enquanto o estoque disponível diminuiu. O cenário indica demanda forte, mas cautela das loteadoras devido a obstáculos econômicos e regulatórios.
João Victor Araújo, presidente da Associação dos Desenvolvedores Urbanos de Goiás (ADU-GO), explicou os fatores por trás do movimento na quinta-feira, dia 20. Ele citou juros elevados, renda familiar sob pressão, burocracia na aprovação de loteamentos e incertezas eleitorais como motivos para a redução de novos projetos. Uma pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, feita para a ADU-GO e o Secovi, mostrou que foram comercializados 7.388 lotes nos últimos doze meses.
Apesar da queda em relação ao pico de 2024, a oferta encolheu. Em junho de 2026, o estoque total em Goiás era de 15.418 lotes, abaixo dos mais de 19 mil registrados em anos anteriores. A escassez, somada à demanda, mantém alto o índice de Venda Sobre Oferta (VSO). Araújo apontou que o processo de loteamento é mais complexo que a incorporação vertical, exigindo planejamento de infraestrutura.
Outro ponto levantado pelo presidente da ADU-GO foi o impacto dos juros altos, que desincentiva o investimento real. Ele observou que a renda familiar pressionada e o ambiente político influenciam as decisões. Araújo afirmou que o déficit habitacional sustenta a procura, diferenciando a compra de lote, vista como poupadora de patrimônio, da aquisição de imóveis prontos.

