O governo da Venezuela anunciou, nesta sexta-feira (28), um acordo com os Estados Unidos para desenvolver 17 campos de petróleo com potencial de 65 bilhões de barris. A parceria terá a participação de operadores privados e visa ampliar a produção do país sul-americano.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o arranjo dará aos norte-americanos controle majoritário sobre o volume associado ao negócio. Segundo Trump, a participação será estruturada com empresas privadas e não terá custos para os pagadores de impostos dos Estados Unidos. O republicano não informou quais companhias integrarão o projeto, a divisão do controle dos campos ou a data de início da exploração.
Em comunicado, o governo venezuelano declarou que a iniciativa facilitará a entrada de investimentos para recuperar e modernizar a infraestrutura do setor de hidrocarbonetos. Caracas estima aportes superiores a US$ 100 bilhões e arrecadação acima de US$ 209 bilhões durante a execução dos projetos. A apuração indica que os campos estão localizados no Cinturão Petrolífero do Orinoco e na região do lago Maracaibo.
Trump apresentou a parceria como forma de aumentar a oferta de petróleo e reduzir os preços dos combustíveis nos EUA. Parte do óleo poderá ser destinada ao abastecimento das Forças Armadas e à reserva estratégica norte-americana. Autoridades venezuelanas ainda devem assinar contratos de exploração e produção com as empresas interessadas.
O impacto não deve ser imediato, pois a ampliação da produção depende da recuperação de redes elétricas, oleodutos, portos, refinarias e campos. A extração do petróleo pesado venezuelano exige investimentos elevados e pode levar anos para atingir escala comercial. A Administração de Informação de Energia dos EUA estima que a Venezuela possua 303 bilhões de barris, as maiores reservas comprovadas do mundo; o volume do acordo representa pouco mais de 21% desse total.
O anúncio ocorre após Delcy Rodríguez assumir interinamente a Presidência venezuelana. A mudança aconteceu depois que uma operação militar dos EUA capturou Nicolás Maduro, em janeiro de 2026, para responder a processos na Justiça norte-americana. Maduro se declarou inocente.

