Ventos intensos, a previsão de El Niño e o aumento de secas e ondas de calor reforçam os desafios climáticos na produção de alimentos no Brasil. Diante disso, cresce o debate sobre a agroecologia, sistema que visa tornar a agricultura mais resistente às variações do clima.
Organismos internacionais apontam a agroecologia como estratégia para aumentar a resiliência dos sistemas alimentares. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) citam práticas que priorizam a diversificação de cultivos e a conservação do solo. Diferente da monocultura, que aumenta a vulnerabilidade das lavouras, os sistemas agroecológicos combinam diferentes plantas e árvores em um mesmo ambiente produtivo.
Carla Guindani, CEO da Raízes do Campo, explica que a agroecologia organiza todo o ecossistema, e não apenas o produto final. Ela afirma que sistemas equilibrados exigem menos intervenções externas, tornando a produção mais resiliente. Os benefícios se dividem em mitigação e adaptação. Na mitigação, o aumento da matéria orgânica no solo favorece o armazenamento de carbono e reduz a dependência de insumos químicos, conforme a FAO.
Na adaptação, solos ricos em matéria orgânica absorvem mais água, diminuindo os impactos de secas e chuvas intensas. Guindani também avalia que o fortalecimento da agricultura familiar contribui para um desenvolvimento territorial mais equilibrado, reduzindo o êxodo rural. A perspectiva de um novo El Niño reforça a necessidade de sistemas produtivos biodiversos para reduzir os impactos dos extremos climáticos.

