A violência política contra mulheres no Brasil é alta, segundo pesquisa da Rede A Ponte. O estudo revelou que 77% dos casos ocorrem dentro da Câmara Municipal, local onde as parlamentares exercem o mandato. A maioria dos agressores são homens brancos cisgêneros, conforme o relatório divulgado nesta terça-feira (11).
A pesquisa, que ouviu mais de 70 parlamentares, indicou que seis em cada dez vereadoras brancas e oito em cada dez negras relataram ter sofrido violência política. O relatório, intitulado Raio X da Violência Política de Gênero e Raça no Legislativo Municipal, aponta que, apesar da Lei 14.192/2021, o crime persiste, sendo cometido principalmente por homens brancos cisgêneros, que representam oito em cada dez agressores.
Os tipos de agressão mais comuns são de natureza psicológica, afetando 89% das vítimas, com relatos de corte de microfone, interrupções de fala e chantagens. Além disso, 82% das parlamentares foram alvos de violência simbólica, caracterizada pela exclusão de espaços de decisão. O estudo também detalha que 30% dos relatos envolvem ataques à identidade, condição ou raça.
A diretora-executiva da Rede A Ponte, Amanda de Albuquerque, comentou que as mulheres são abandonadas pelos partidos ao ingressarem na política. Dos 44 casos de violência de gênero e raça registrados, apenas 12 geraram denúncias formais sem encaminhamento institucional. O relatório também mostra que, em 2024, apenas 5% das mulheres negras candidatas foram eleitas, em comparação com 19% dos homens brancos.


