Um patógeno viral causou a queda de 83% na reprodução da perereca-macaco em uma lagoa de Santa Catarina. Pesquisadores comprovaram, pela primeira vez na América do Sul, que surtos de ranavirose provocaram o colapso populacional da espécie na Reserva Particular do Patrimônio Natural Santuário Rã-Bugio.
O estudo, apoiado pela Fapesp, demonstra que o ranavírus afeta anfíbios e répteis. A doença se agrava em períodos de baixa umidade do ar. Em uma lagoa específica, foram registrados 324 girinos mortos entre 2024 e 2026, com 279 deles (88,6%) testando positivo para o vírus.
A infecção causa necrose em órgãos vitais, como o fígado. Sinais clínicos incluem inchaço abdominal e hemorragias. Aline Fonseca, pesquisadora envolvida no trabalho, afirmou que a análise histológica dos tecidos confirmou a ranavirose como causa das mortes na espécie nativa.
O monitoramento contínuo da lagoa, realizado desde 1999 por Germano Woehl Jr. e Elza Nishimura Woehl, permitiu calcular o declínio populacional. Karla Campião, professora da UFPR, explicou que, apesar de fatores climáticos terem sido analisados, a ranavirose foi o fator mais significativo no declínio.
Os pesquisadores alertam que a baixa umidade pode aumentar a replicação do vírus e comprometer o sistema imune dos anfíbios. Luís Felipe Toledo, professor da Unicamp, sugeriu que o ranavírus pode estar presente na região há muito tempo, exigindo mais estudos de conservação.


