Em agosto de mil novecentos e sessenta e um, a condecoração de Ernesto Guevara por Jânio Quadros, então presidente do Brasil, desencadeou forte resistência de setores políticos e militares. O ato, que ocorreu em meio a uma crise econômica, levou à renúncia do mandatário seis dias depois.
O presidente Jânio Quadros governava em agosto de 1961 com medidas polêmicas, como a proibição de biquínis nas praias e o corte de subsídios industriais. A concessão da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, grau Grã-Cru, a Guevara, ministro da Indústria de Cuba, escalou a tensão ideológica no governo.
A aproximação do governo brasileiro com Cuba fazia parte da Política Externa Independente, estratégia que visava autonomia em relação aos Estados Unidos. Essa postura gerou críticas de grupos conservadores, como a UDN, que se manifestou contra a honraria concedida ao argentino.
Após a renúncia, a crise sucessória levou à posse do vice, João Goulart. A posição de Goulart, mais à esquerda que a de Jânio, intensificou a polarização. Esse cenário de instabilidade institucional pavimentou o caminho para o golpe militar de 1964.

