O Walmart divulgou no dia 20 de agosto de 2026 o crescimento de vendas comparáveis mais baixo em mais de seis anos nos Estados Unidos. O resultado foi de 2,6%, abaixo dos 3,5% previstos pelo mercado. A queda no desempenho do maior varejista americano aponta para um consumidor em situação de aperto financeiro.
A receita total da companhia atingiu 187,94 bilhões de dólares, superior aos 186,77 bilhões de dólares esperados. A gestão da empresa elevou as projeções para o ano, visando um crescimento de vendas líquidas entre 4% e 5%, e o lucro ajustado por ação (EPS) entre 2,80 e 2,87 dólares. O diretor financeiro, John David Rainey, mencionou que um fator estrutural foi a redução de 0,8 ponto percentual no setor de saúde e bem-estar devido a tetos de preços em certos medicamentos. Além disso, custos adicionais com combustível somaram pouco mais de 2 bilhões de dólares.
Os dados do varejista coincidem com o sentimento do consumidor medido pela Universidade de Michigan, que registrou 49,5 em junho de 2026, abaixo do nível considerado recessivo. Diante desse cenário, empresas como Coca-Cola e Procter & Gamble são apontadas como resilientes. A Coca-Cola, por exemplo, teve crescimento de volume de 5% no segundo trimestre, e sua gestão elevou a meta de fluxo de caixa livre para o ano de 2026 para cerca de 12,4 bilhões de dólares.
A Procter & Gamble mantém uma trajetória de aumentos de dividendos por 70 anos consecutivos. A empresa gerou 15,84 bilhões de dólares em fluxo de caixa livre no ano, com planos de retornar 15 bilhões de dólares aos acionistas em 2027. O relatório do Walmart serve como um indicador claro do estresse do consumidor americano, mostrando que os bens essenciais continuam sendo comprados, mesmo com o orçamento apertado.

