O X atualizou seu algoritmo na noite desta terça-feira (25) para excluir perfis de candidatos de seus sistemas de recomendação de conteúdo. A medida ocorre após a apuração de que a rede social não aplicava a regra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para centenas de contas declaradas pelas candidaturas.
A norma do TSE proíbe que redes sociais exibam conteúdos de candidatos para usuários que não seguem tais perfis, exceto em posts impulsionados por pagamento. O objetivo é evitar que algoritmos gerem tratamento desigual entre as candidaturas durante o período eleitoral.
Análises da organização Sleeping Giants Brasil e de reportagem indicaram que, até terça-feira, o X não filtrava todos os perfis informados à Justiça Eleitoral. Enquanto a empresa havia divulgado a inclusão de 665 contas em seu filtro, mais de 2.107 perfis haviam sido declarados ao TSE, deixando ao menos 1.442 contas vulneráveis a recomendações.
Durante testes com contas novas, a reportagem identificou a exibição de perfis de diferentes siglas na aba “Para Você”. Entre os nomes recomendados indevidamente estavam Fernando Haddad (PT), Erika Hilton (PSOL), Nikolas Ferreira (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Pablo Marçal (PRTB). Após ser questionada, a empresa ampliou a lista de filtrados para quase 2.400 nomes.
Humberto Ribeiro, cofundador do Sleeping Giants Brasil, afirmou que a plataforma tratou de maneira desigual candidatos cujas contas foram removidas dos algoritmos e aqueles que continuaram sendo exibidos. Ele ponderou que outras redes podem apresentar cenários piores, embora o X tenha publicado o código de implementação da regra.
A medida de regulação brasileira gerou reações nos Estados Unidos. Sarah B. Rogers, subsecretária de Estado para Diplomacia Pública do governo Donald Trump, classificou a regra do TSE como uma “censura imposta pelo Brasil”. O X não respondeu aos questionamentos sobre a manutenção de recomendações em funções como “Quem seguir” e “Talvez você curta”.

