Os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, reúnem-se com o líder iraniano, Masoud Pezeshkian, nesta segunda-feira (31), em Bishkek, no Quirguistão. O encontro faz parte da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (SCO) e ocorre em meio à ofensiva econômica dos Estados Unidos contra a República Islâmica.
A reunião marca o primeiro contato entre os três líderes desde o início da guerra travada por Estados Unidos e Israel contra o Irã. A cúpula conta com a participação do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, além de representantes de Belarus, Paquistão e países da Ásia Central. O grupo representa mais de 40% da população mundial e cerca de 25% do PIB global, segundo o Banco Mundial.
A pressão sobre o bloco cresce com a ameaça do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, de implementar um “Dia D econômico” para punir Teerã e seus aliados. Analistas indicam que a SCO pode oferecer apenas apoio simbólico ao Irã, já que China e Rússia não demonstraram disposição para suporte militar e mantêm auxílio econômico limitado.
Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, afirmou que Xi terá trocas aprofundadas sobre a cooperação interna diante das novas circunstâncias internacionais. O presidente chinês seguirá para o Egito após a visita ao Quirguistão e deve participar da reunião dos Brics, em Nova Délhi, em meados de setembro, antes de ir a Washington.
Putin e Xi devem realizar conversas paralelas ao evento. A dependência de Moscou em relação a Pequim aumentou após sanções europeias decorrentes da guerra na Ucrânia, iniciada há quatro anos e meio. Segundo a consultoria Gatehouse, o Kremlin busca demonstrar que o presidente russo não está geopoliticamente isolado.
Narendra Modi também deve se reunir com Putin para revisar a agenda bilateral e discutir temas tarifários com líderes da Ásia Central. A Índia teve a utilização do porto iraniano de Chabahar limitada por sanções americanas. Atualmente, a Rússia é o principal fornecedor de petróleo para o governo indiano devido à interrupção de embarques no Oriente Médio.
Fundada em 2001, a SCO inclui hoje China, Rússia, Cazaquistão, Uzbequistão, Tadjiquistão, Quirguistão, Índia, Paquistão, Irã e Belarus. Apesar da expansão e de exercícios militares conjuntos, a organização enfrenta dificuldades para concretizar projetos como um banco de desenvolvimento próprio e mecanismos comuns de pagamento.

