A China se tornou um competidor predatório da indústria química global, segundo Maximilian Yoshioka, diretor-presidente da Indorama Ventures Polímeros para a América Latina e membro da presidência da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). A afirmação foi feita nesta terça-feira (1º), em São Paulo, durante a apresentação da Agenda Estratégica para a Indústria Química Brasileira 2027-2035.
Yoshioka explicou que o crescimento de dois dígitos nos investimentos chineses em capacidade instalada nos últimos 15 anos gerou uma oferta superior à demanda doméstica. Esse cenário, somado à expansão da produção de shale gas nos Estados Unidos, resultou em uma sobrecapacidade de 20% a 25% no setor químico global, informou André Passos, presidente executivo da Abiquim.
De acordo com Passos, a China planejou sua expansão industrial com base em um crescimento do PIB de 7% a 8% ao ano na primeira década dos anos 2000. Com a queda da taxa para perto de 4,5%, o país passou a ter capacidade produtiva excedente que, após ser direcionada para a Europa, concentrou-se na América Latina.
O executivo alertou que o Brasil corre o risco de se tornar um “outlet” para o excedente industrial mundial. Com a imposição de tarifas pelos Estados Unidos e regras mais rígidas na Europa, produtores com excesso de estoque buscam novos destinos, e o Brasil emerge como ponto de absorção por não possuir barreiras equivalentes.
Passos afirmou que a regulação do comércio internacional não foi ajustada para esse cenário e que a Organização Mundial do Comércio (OMC) não possui ferramentas suficientes. Ele defendeu que o Brasil proponha o redesenho desses instrumentos para lidar com as decisões dos dois gigantes globais.
Yoshioka detalhou que acordos bilaterais entre Brasil e China têm agravado o problema, pois a abertura comercial para segmentos específicos acaba beneficiando todos os materiais da cadeia. Mariana Orsini, líder regional da Dow no Brasil, defendeu a integração de políticas públicas sobre hidrogênio verde, biomassa e mercado de carbono para evitar a perda de investimentos para países com políticas industriais mais consolidadas.

