As ações da Shein recuaram até 10% em sua estreia na Bolsa de Hong Kong nesta terça-feira (1º), após um processo de anos para realizar a oferta pública inicial (IPO). Os papéis chegaram a HK$ 43,72, contra o preço de emissão de HK$ 48,56, antes de recuperarem parte das perdas.
A operação levantou HK$ 13,6 bilhões (US$ 1,7 bilhão), atribuindo à companhia um valor de mercado ligeiramente superior a US$ 26 bilhões. O montante é inferior aos cerca de US$ 30 bilhões da varejista sueca H&M e fica distante do pico de avaliação da Shein, que chegou a quase US$ 100 bilhões em 2022.
A pressão de venda foi intensa no início do pregão, com ofertas de venda sendo atingidas três vezes mais que as de compra. Segundo Shen Meng, diretor do banco de investimentos Chanson & Co., o apelo da empresa é limitado por ser uma companhia de comércio eletrônico tradicional dependente de competição por preços, enquanto investidores priorizam tecnologia e inteligência artificial.
A varejista, fundada na China e sediada em Cingapura, enfrentou obstáculos regulatórios e políticos que inviabilizaram a venda de ações nos Estados Unidos e no Reino Unido. Agora, a empresa lida com tarifas mais altas, escrutínio regulatório e concorrência de plataformas como Temu e AliExpress.
Os resultados financeiros da companhia apresentaram instabilidade. No primeiro trimestre deste ano, a Shein registrou prejuízo de US$ 99 milhões, comparado ao lucro de US$ 395 milhões no mesmo período do ano anterior. O crescimento da receita também desacelerou, conforme indicado no prospecto preliminar.
Investidores-âncora, incluindo Tencent Holdings Ltd. e UBS Asset Management Singapore, comprometeram-se a não vender suas ações por seis meses. Os quatro fundadores da empresa mantêm quase 60% do capital e cerca de 90% dos direitos de voto, com bloqueio de venda por 24 meses.
A companhia informou que utilizará os recursos para expandir a presença global da marca, fortalecer capacidades tecnológicas e apoiar iniciativas de responsabilidade corporativa. Paralelamente, o Comitê de Investimentos Estrangeiros nos Estados Unidos (CFIUS) analisa a aquisição da marca Everlane pela Shein por riscos à segurança nacional.

