A Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu neste domingo (6) a eleição estadual da Saxônia-Anhalt com 44,4% dos votos, segundo pesquisas de boca de urna. O resultado coloca o partido de direita diante da possibilidade de assumir o governo de um estado alemão pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
O candidato ao governo regional, Ulrich Siegmund, afirmou que a legenda fez história no estado. A AfD praticamente dobrou sua votação em relação a 2021, quando obteve 23,7%. A participação eleitoral foi de 76,5% em uma região com 2,1 milhões de habitantes.
Apesar da vitória, a AfD pode não conseguir governar sozinha por não possuir maioria absoluta no Parlamento estadual. Como a legenda rejeita coalizões e os principais partidos se recusam a formar alianças com ela, a composição do governo permanece indefinida. Apenas o BSW, que superou a barreira de 5% dos votos, demonstrou disposição para cooperar em temas como a reforma dos preços da energia.
Os conservadores da CDU, partido do chanceler Friedrich Merz, ficaram em segundo lugar com 18,4%. A esquerda radical Die Linke obteve 9,3%, seguida pelos Verdes com 8,7% e o Partido Social-Democrata (SPD) com 8,4%. Franziska Hoppermann, secretária-geral da CDU, classificou o resultado como uma derrota dos democratas que governaram o estado nos últimos 35 anos.
A campanha de Siegmund focou em segurança, identidade nacional e imigração. Entre as propostas estão a deportação de estrangeiros, a proibição de bandeiras do arco-íris nas escolas e a substituição do lema regional por “Think German”. Na política externa, o partido defende a interrupção do apoio à Ucrânia, a retomada de relações com a Rússia e o abandono do euro.
O crescimento da AfD reflete um cenário nacional. Pesquisa do instituto INSA indica 28% de intenção de voto para a legenda no país, superando os 20% da CDU. No estado da Saxônia-Anhalt, sondagens apontaram que 87% da população estava insatisfeita com o governo federal. O ministro das Finanças, Lars Klingbeil, afirmou que o resultado é um recado a Berlim.
O Instituto Econômico Alemão alertou que a política migratória da AfD pode prejudicar a região, que sofre com o envelhecimento populacional e depende de mão de obra estrangeira. Críticos também apontam riscos de vazamento de informações sensíveis para o Kremlin devido à proximidade do partido com a Rússia.


