O governo da Alemanha anunciou nesta terça-feira (1º) o fechamento do Consulado Geral da Rússia em Bonn, a maior missão diplomática russa no mundo. A medida é uma resposta a uma tentativa de ataque com drones carregados de explosivos contra uma aeronave de transporte ucraniana An-124 no Aeroporto de Leipzig/Halle, ocorrida no dia 4 de agosto.
O chanceler federal, Friedrich Merz, declarou que a Rússia pagará pela ação, que representa o primeiro caso de uso de drones explosivos contra infraestrutura crítica no país. O ministro do Exterior, Johann Wadephul, afirmou que a Alemanha é alvo diário de uma guerra híbrida promovida pelo Kremlin e que Moscou deve conviver com as consequências.
O fechamento ocorre com um aviso prévio de menos de três semanas, prazo significativamente menor do que os seis meses concedidos em encerramentos anteriores. A decisão impacta as eleições para a Duma, a câmara baixa do Parlamento russo, marcadas para 20 de setembro, já que o consulado em Bonn servia como seção eleitoral. Nas eleições presidenciais de 2024, pouco mais de 5 mil cidadãos russos votaram no local.
Cidadãos russos residentes na Alemanha, cujo número é estimado entre centenas de milhares e milhões, serão os mais afetados pela medida. O consulado já informou o cancelamento de todos os agendamentos. Em contrapartida, espera-se que a Rússia feche o consulado alemão em São Petersburgo.
O complexo em Bonn, situado no distrito de Bad Godesberg, possui valor histórico por ter sido residência do primeiro presidente da Alemanha Ocidental antes de ser transferido para a União Soviética na década de 1970. Apesar do fechamento, as instalações continuarão a ser mantidas com recursos de contribuintes alemães, devido a normas de direito internacional.
A unidade em Bonn também esteve ligada a um caso de espionagem envolvendo Thomas H., ex-oficial das Forças Armadas alemãs, condenado em 2025 a três anos e meio de prisão por agir em favor da Rússia. O governo alemão justifica que o encerramento de missões russas dificulta a atuação de espiões com passaportes diplomáticos.
O presidente Vladimir Putin rejeitou as acusações, classificando-as como infundadas e alegando que Berlim plantou provas. Putin afirmou que o governo de Merz tenta desviar a atenção de problemas internos e da queda de sua aprovação ao retratar a Rússia como um Estado hostil.


