O ministro Alexandre de Moraes adiou o pronunciamento público que realizaria às 11h desta quinta-feira (10) sobre crises internas no Supremo Tribunal Federal (STF) e suspeitas de envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão foi recebida com alívio por parte dos magistrados, que temiam a ampliação do impasse na Corte.
O cancelamento ocorreu menos de uma hora após o anúncio da fala. Segundo o tribunal, a manifestação será remarcada para uma data oportuna. A avaliação interna é que o pronunciamento poderia gerar ruídos diante de operação da Polícia Federal (PF) que investiga desvios de emendas parlamentares para empresas ligadas à produtora do filme Dark Horse.
O adiamento acontece um dia depois de o presidente do STF, Edson Fachin, adotar medidas para reorganizar procedimentos judiciais. Entre as ações, Fachin revogou a designação de Moraes para comandar o inquérito das fake news, conduzido pelo ministro desde 2019, e convocou sessão para julgar relatório da PF sobre mensagens de Vorcaro.
Moraes pretendia utilizar o espaço para defender as medidas adotadas ao longo de sete anos à frente da investigação de fake news. Interlocutores informaram que o ministro poderia mencionar ameaças sofridas por integrantes do Supremo como justificativa para as ações da Corte.
As decisões de Fachin integram um conjunto de medidas para lidar com o conflito envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça, além dos desdobramentos do caso Master. O presidente do STF passou a assumir papel direto na administração do impasse após a divulgação de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Embora tenha retirado Moraes da condução do inquérito das fake news, Fachin preservou os atos praticados anteriormente. A Presidência do tribunal agora concentra a condução do procedimento.


