Aliados do presidente Lula pretendem utilizar a revelação de diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para pressionar o ministro André Mendonça pelo fim do sigilo no caso ‘Dark Horse’. A investigação apura a relação entre o dono do Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A estratégia visa blindar a imagem do presidente diante da exposição de Moraes, argumentando que Flávio Bolsonaro será o mais afetado pelos avanços do processo. Segundo a apuração, Vorcaro teria feito um repasse adicional de US$ 1,6 milhão (R$ 8,5 milhões na cotação da época) ao fundo que administra os recursos para um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Pessoas próximas ao mandatário avaliam que Lula poderá pedir explicações sobre o caso, repetindo a postura adotada em acusações contra o filho, Flávio Luis Lula da Silva. Em abril, o presidente chegou a sugerir que Moraes deveria se declarar impedido em votações envolvendo o Banco Master para preservar sua biografia histórica.
O cenário gera divergências entre os apoiadores do governo. Enquanto alguns minimizam o impacto, outros alertam que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) pode beneficiar candidatos ao Senado que defendem o impeachment do ministro. Há também a percepção de que a ala da extrema direita utilizará o episódio para questionar as urnas eletrônicas e a eleição de 2022.
As recentes revelações indicam que Vorcaro perguntou a Moraes se deveria fugir do país dois dias antes de ser preso. Outro ponto central é a edição de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.
Flávio Bolsonaro afirmou que, diante das notícias, Moraes não tem condições de continuar no cargo. No tribunal, André Mendonça é o relator das investigações sobre o banco e desvios no INSS, sendo visto como adversário do grupo composto por Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino.


