Autoridades europeias e americanas trabalham com a perspectiva de que a guerra na Ucrânia se estenda até 2027, após a mais recente iniciativa dos Estados Unidos para negociar a paz não avançar junto ao presidente russo, Vladimir Putin. A avaliação ocorre após visitas de emissários americanos a Moscou e Kiev no último fim de semana.
Os enviados do presidente Donald Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, não obtiveram progressos significativos nas conversas. Putin e Trump falaram por telefone nesta terça-feira (8) por cerca de uma hora para discutir os resultados das visitas. O assessor de política externa do Kremlin, Yuri Ushakov, classificou a conversa como “construtiva e bastante franca”.
O impasse central reside na exigência de Putin pelo controle total da região de Donetsk como condição para qualquer acordo. A Ucrânia rejeita a demanda e defende um cessar-fogo nas atuais linhas de frente. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que espera se reunir com Trump no fim de setembro e que defende novas conversas trilaterais com Washington e Moscou ainda neste outono.
A Rússia retomou ataques com mísseis contra a Ucrânia após uma pausa de três dias. Autoridades europeias avaliam que o plano do Kremlin para os próximos seis meses inclui intensificar ataques contra a infraestrutura de energia e aquecimento para dificultar a vida da população durante o inverno. O objetivo seria chegar à próxima primavera com posição favorável nas negociações.
Diante do cenário, países europeus discutem a compra de mísseis Patriot dos Estados Unidos para enviar a Kiev. O subsecretário de Defesa dos EUA para Política, Elbridge Colby, afirmou que o país deve estar preparado para um conflito prolongado. A Casa Branca informou, em comunicado, que os enviados discutiram “planos substanciais para os próximos passos”.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que a Rússia continua aberta a uma solução pacífica e espera a retomada das negociações trilaterais. No entanto, a apuração indica que Putin não demonstrou disposição para flexibilizar posições, utilizando a visita dos americanos para demonstrar força interna antes das eleições para a Duma Estatal, que ocorrem entre 18 e 20 de setembro.


