A Amil encerrou as negociações com os fundos Bain Capital e Advent International para a entrada de capital na operadora de planos de saúde. O Conselho de Administração comunicou a decisão aos funcionários nesta quinta-feira (10), informando que o processo terminou sem mudanças na estrutura societária da companhia.
As partes divergiram sobre a influência que os fundos teriam na condução da empresa. José Seripieri Filho, dono da Amil e presidente do conselho, buscava um parceiro para financiar o crescimento do negócio, mas sem abrir mão da posição central nas decisões estratégicas.
As conversas duraram meses e avaliaram diferentes estruturas. Inicialmente, a proposta era a venda de uma participação relevante com manutenção do controle, mas as gestoras passaram a buscar a aquisição de 100% da Amil. O preço foi um dos entraves, com a operadora avaliada em aproximadamente R$ 17 bilhões.
Negociações para a venda integral chegaram a envolver valores entre R$ 15 bilhões e R$ 16 bilhões. No entanto, pendências sobre passivos e garantias persistiram. Seripieri Filho considerou permanecer como acionista minoritário, mas os fundos não aceitaram a manutenção do empresário como sócio.
A melhora operacional da companhia influenciou a desistência do negócio. A Amil possui cerca de 3,5 milhões de clientes e projeta encerrar 2026 com Ebitda próximo de R$ 2,5 bilhões. O resultado reduz a urgência de captação de recursos e amplia o poder de negociação do controlador.
Seripieri Filho havia adquirido a Amil da UnitedHealth Group no fim de 2023 por R$ 11 bilhões, dos quais R$ 9 bilhões referiam-se a contingências e passivos. A entrada de investidores era vista como preparação para uma futura abertura de capital (IPO).
A operadora afirmou que continua aberta a receber propostas para a entrada de um sócio minoritário. A condição é que a estrutura preserve os princípios e o comando definidos pela administração atual.


