O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, anunciou nesta quinta-feira (3) que deixará a sociedade do Instituto Iter. A instituição, criada em novembro de 2023, possui como sócios quatro ex-integrantes da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro e faturou R$ 10,8 milhões em 55 contratos com órgãos públicos.
Mendonça e sua mulher, Janey Nagliatti de Mendonça, detêm 77,5% da sociedade por meio da empresa Integre Cursos e Pesquisa em Estado de Direito e Governança, sediada em Brasília. Os 22,5% restantes pertencem a Victor Godoy Veiga, Danilo Dupas Ribeiro, Tercio Tokano e Rodrigo Hauer. Todos atuaram no governo federal em períodos concomitantes ao cargo de advogado-geral da União e ministro da Justiça ocupados por Mendonça.
O magistrado informou que cederá as cotas próprias e as de sua esposa sem qualquer contrapartida financeira, embora não tenha detalhado a data da formalização. Com a saída, ele seguirá atuando na instituição apenas como professor. O Instituto Iter, que oferece cursos jurídicos e capacitação profissional, será transformado em entidade sem fins lucrativos.
Em nota, a instituição afirmou que não houve distribuição de lucros ou dividendos nos dois anos de atividade e que as operações educacionais seguirão normalmente. A apuração indica que o faturamento da empresa saltou de R$ 4,8 milhões, registrados em outubro de 2025, para os atuais R$ 10,8 milhões em contratos públicos.
A sede do instituto está localizada na região da avenida Paulista, em São Paulo. No local, Mendonça se reuniu, em 14 de março de 2025, com o banqueiro Daniel Vorcaro para tratar de um julgamento de interesse do fundador do Master, embora o ministro tenha votado contra os interesses do banco na Corte.
Victor Godoy Veiga, que detém 7,5% da empresa, é o atual presidente do instituto. Os demais sócios, Ribeiro, Tokano e Hauer, possuem 5% cada. A decisão de deixar a sociedade ocorreu em 2 de setembro, após conversa entre o ministro e Godoy.


