O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira (9) o acordo de colaboração premiada de Antonio Carlos Freixo Júnior, operador do mercado financeiro conhecido como “Mineiro”. O delator é alvo de investigações sobre o Banco Master e confirmou repasses milionários para a produção do filme “Dark Horse”.
Em depoimento à Procuradoria-Geral da República (PGR), Freixo Júnior afirmou ter realizado sete transferências bancárias ao longo do ano passado para o fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos. Os valores totalizam US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 69 milhões na cotação da época), efetuados a pedido do banqueiro Daniel Vorcaro. O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado de imigração próximo ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
A Polícia Federal (PF) e a PGR apuram se os repasses, realizados entre fevereiro e setembro de 2025, serviram apenas para financiar o longa-metragem ou se também custearam o autoexílio de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O parlamentar mudou-se para o Texas em fevereiro de 2025, alegando perseguição política no Brasil. O delator também relatou ter feito entregas de dinheiro vivo, inclusive em malas, para terceiros indicados por Vorcaro, embora tenha dito não saber a finalidade desses valores.
Uma perícia privada contratada pela Go Up Entertainment, produtora do filme, indicou que 72% dos gastos da obra ocorreram nos Estados Unidos. O custo total do projeto teria sido de US$ 13,39 milhões (R$ 75,18 milhões). O documento aponta que a fase de “soft production”, que envolve definições conceituais, consumiu US$ 2,69 milhões, valor considerado estratosférico por produtores do mercado audiovisual, que costumam reservar entre 3% e 5% do orçamento para essa etapa.
O caso gerou crise na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República após a divulgação de mensagens em que o senador cobrava dinheiro de Daniel Vorcaro. Flávio Bolsonaro afirmou que o assunto é “página virada”. A PF solicitou à Go Up esclarecimentos sobre aspectos financeiros e operacionais do filme, com resposta enviada na última sexta-feira (4). A obra, que aborda a campanha de 2018 e o atentado contra Jair Bolsonaro, deve estrear após as eleições deste ano.


