A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) incluiu um projeto de baterias no primeiro leilão de transmissão de energia de 2027. A proposta, aprovada para consulta pública nesta terça-feira (8), prevê a instalação do sistema na subestação Cruzeiro do Sul, no Acre, como forma de diversificar a contratação da tecnologia no país.
A instalação das baterias no Acre permitiria a retirada de usinas térmicas que atendem a região, elevando a confiabilidade do fornecimento de energia, segundo o regulador. O projeto prevê aportes estimados em R$ 249 milhões, com prazo contratual de 18 anos, divididos entre três anos de implantação e 15 de operação.
A estratégia de licitar as baterias como ativos de transmissão busca evitar controvérsias ocorridas em leilões de reserva de capacidade. Naquela modalidade, a lei determina que os geradores custeiem a tecnologia, regra que ainda não foi regulamentada e gerou ameaças de judicialização no setor.
O diretor-geral da Aneel explicou que, na transmissão, não há discussão sobre o pagamento do encargo, pois se trata de tarifa dividida entre o consumidor e o segmento de geração. A medida altera a lógica anterior, na qual as baterias eram avaliadas prioritariamente para fornecer potência, função hoje exercida por hidrelétricas e termelétricas.
O certame está previsto para 30 de abril de 2027 e deve oferecer outros 11 empreendimentos em diversos Estados. O pacote total soma 3.245 quilômetros de novas linhas de transmissão e subestações com 1.386 MVA de capacidade de transformação.
Entre as obras previstas estão a interligação Brasil-Bolívia, com reforços no Mato Grosso do Sul, e novas instalações no Nordeste para atender data centers. Esses projetos representam mais da metade dos R$ 12,9 bilhões em investimentos previstos, mas a Aneel informou que podem ser retirados do leilão devido a pendências a serem resolvidas.


