O olm, anfíbio aquático cego da espécie Proteus anguinus, habita as profundezas das cavernas da região cárstica da Eslovênia. Conhecido popularmente como “dragão bebê”, o animal pode atingir 30 centímetros de comprimento, viver até 100 anos e sobreviver por mais de dez anos sem se alimentar.
A aparência pálida e alongada do animal, semelhante a uma enguia, fundamenta lendas locais de que seriam descendentes de dragões. Moradores de Postojna associavam a névoa quente das cavernas ao hálito de criaturas gigantes, interpretando salamandras trazidas por enchentes como filhotes de monstros ocultos. Essa tradição influenciou a cultura eslovena, com a presença de dragões em murais, pontes e símbolos urbanos.
Apesar da cegueira, o olm é o predador dominante em seu ambiente. A espécie possui sentidos capazes de detectar odores, vibrações e campos magnéticos. Em casos raros, os indivíduos emergem em nascentes, onde ficam vulneráveis por causa da cor branca e da falta de visão, chegando a caçar presas inexistentes no mundo subterrâneo.
O Parque da Caverna de Postojna abriga uma população significativa desses anfíbios e é referência em conservação. A instituição registra recordes de nascimento em cativeiro e conduz pesquisas sobre a genética e a capacidade de regeneração da espécie. O local recebe milhões de visitantes anualmente em excursões guiadas.
A sobrevivência do animal depende da preservação das águas subterrâneas. Fertilizantes e poluição química que penetram nas rochas permeáveis da região ameaçam o ecossistema. Cientistas e guias locais afirmam que a proteção dos olms é essencial para a manutenção do ambiente único das cavernas eslovenas.


