Dezoito grupos de extrativistas da Fazenda Nova Fronteira, no sul de Lábrea (AM), passaram a utilizar um mapeamento digital de milhares de castanheiras-da-amazônia. Disponível em aplicativo para celulares, a ferramenta funciona sem internet e fornece a localização exata das árvores para otimizar a coleta e reduzir deslocamentos desnecessários.
O inventário foi gerado pela tecnologia Netflora, metodologia da Embrapa Acre que combina drones e algoritmos de inteligência artificial para identificar espécies florestais em imagens aéreas. O sistema atribui um endereço geográfico único a cada árvore, permitindo que os coletores monitorem o castanhal e ampliem a área explorada.
Segundo Luciano Ribas, pesquisador da Embrapa Acre, o objetivo é auxiliar no planejamento da safra. Ribas explicou que a identificação de novas árvores próximas às trilhas tradicionais permite reorganizar percursos e compensar perdas em anos de baixa produção, mantendo o volume de coleta.
A ferramenta também resolveu disputas territoriais. A extrativista Maria Maia afirmou que a definição clara das divisas no mapa evitou conflitos entre vizinhos sobre onde terminavam as áreas de coleta. Outro coletor, Raimundo Medeiros Sobral, de 53 anos, relatou que o sistema revelou árvores que estavam escondidas na mata.
O mapeamento faz parte de um projeto executado há dois anos por meio de parceria entre a Embrapa Acre, a Future Climate e a Fazenda Nova Fronteira. Além da tecnologia, a iniciativa incluiu capacitações em Boas Práticas de Produção, com vídeos no YouTube sobre manejo, armazenamento e uso de equipamentos de proteção individual.
A área onde as trilhas foram mapeadas integra o Projeto Rio Madeira REDD+, que visa a conservação de 52 mil hectares de floresta entre o Amazonas e Rondônia. Jefferson Moreira, analista socioambiental da Future Climate, disse que a ação busca conciliar a geração de renda com a preservação ambiental, prevendo mitigar mais de 15 milhões de toneladas de CO₂ em 30 anos.


