O coordenador do programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Sérgio Gabrielli, afirmou que medidas de austeridade não serão necessárias caso o petista seja reeleito. Em entrevista, Gabrielli classificou como exagerada a avaliação de que o Brasil enfrenta uma crise fiscal e rejeitou propostas de investidores para reduzir gastos públicos.
O ex-presidente da Petrobras descartou sugestões do mercado financeiro para encerrar os aumentos reais do salário mínimo ou alterar as regras de gastos mínimos obrigatórios em saúde e educação. Gabrielli declarou que um governo comprometido com o combate à desigualdade e a ampliação de gastos sociais não pode aceitar tais medidas, embora tenha admitido a possibilidade de buscar maior eficiência nos gastos públicos.
A posição ocorre enquanto o mercado questiona a credibilidade da meta de superávit primário para o próximo ano. Desde 2023, a dívida bruta do governo cresceu mais de 10 pontos percentuais, atingindo 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB). O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as preocupações com o aumento da dívida pública são legítimas e exigem respostas do governo.
Na última segunda-feira, Lula reuniu-se com 16 executivos e banqueiros, incluindo representantes do Bradesco e do BTG Pactual. Durante o jantar, os participantes argumentaram que a política fiscal contribui para a manutenção de juros elevados, prejudicando o crédito e os balanços das empresas. O presidente defendeu seu histórico de responsabilidade nas contas públicas e reiterou a autonomia do Banco Central.
Gabrielli, integrante da ala esquerda do PT, criticou a meta de inflação de 3%, classificando-a como irrealista diante do cenário global. Ele sugeriu que a redução de subsídios ineficazes e mudanças na distribuição de emendas parlamentares seriam caminhos mais eficazes do que o endurecimento do controle de despesas.
Para sustentar a dispensa de austeridade, o coordenador citou que o país possui mais de US$ 300 bilhões em reservas internacionais e liquidez no Tesouro para cobrir quase oito meses de vencimentos da dívida. Segundo ele, esses instrumentos permitem enfrentar desafios fiscais sem recorrer a cortes profundos.
Em pesquisa AtlasIntel divulgada na segunda-feira, Lula aparece com 47,1% das intenções de voto em eventual segundo turno contra 42,6% do senador Flávio Bolsonaro. A vantagem é menor do que a registrada em julho, quando era de seis pontos percentuais.


