O Brasil registrou 841 conflitos agrários no primeiro semestre de 2026, um aumento em relação aos 798 casos do mesmo período do ano anterior, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT). Apesar da alta nas disputas, o número de assassinatos no campo caiu de 27 para seis ocorrências.
O Maranhão foi o estado com maior volume de conflitos, somando 156 casos. Na sequência aparecem Pará (90), Bahia (85), Rondônia (63) e Amazonas (63). A CPT atribui a instabilidade à mercantilização e à financeirização da terra, com a atuação de fundos de pensão e o interesse em terras raras em comunidades tradicionais.
As disputas por terra somaram 711 ocorrências, com destaque para a violência, que subiu de 584 para 663 casos. A contaminação por agrotóxicos foi a forma de violência mais frequente, saltando de 98 para 169 registros. Invasões territoriais (109), desmatamento ilegal (107) e ameaças de despejo (70) também foram registrados.
Conflitos por água cresceram de 47 para 100 casos em 20 estados. O Pará liderou a lista com 16 registros, marcados por lutas indígenas contra a privatização de rios e a ação de garimpeiros. A pressão de comunidades resultou na revogação do Decreto nº 12.600/2025, em fevereiro, que previa a desestatização de hidrovias nos rios Madeira, Tapajós e Tocantins.
O trabalho escravo rural apresentou queda, com 30 registros contra 101 no primeiro semestre de 2025, e o número de vítimas reduziu de 842 para 355. São Paulo teve a maior concentração de resgates, com 148 trabalhadores encontrados, principalmente em atividades de cana-de-açúcar.
Entre as seis mortes registradas, a CPT contabilizou o massacre de três posseiras em Lábrea (AM), dois indígenas assassinados em Roraima e Mato Grosso do Sul, e um trabalhador sem-terra. As vítimas tinham entre 14 e 45 anos. Houve ainda 195 casos de contaminação por minérios em Jacareacanga (PA), decorrentes de garimpo ilegal na Terra Indígena Munduruku.
A coordenadora nacional da CPT, Cecília Gomes, afirmou que o campo brasileiro está distante de ser um lugar de paz. Segundo a entidade, as manifestações de resistência aumentaram, somando 284 atos no período, com reivindicações por demarcação de terras e contra a mineração.


