O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou como “crime de guerra” ataques realizados pelos Estados Unidos nesta terça-feira (1º) no condado de Sirik, ao sul do país. A ofensiva resultou na morte de quatro pessoas, incluindo uma criança e um adolescente, durante a celebração de um casamento na cidade de Kuhestak.
A Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano informou que outras 67 pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave, após estilhaços de um míssil atingirem a residência onde ocorria a festa. Entre as vítimas fatais estão Amir Ali Karimi, de quatro anos, Mohammad Malahi, de 16, e as mulheres Kolsoum Malahi e Zarkhatoun Taheri, ambas de 43 anos.
O proprietário do imóvel, Ali Malahi, afirmou à televisão estatal que todos os presentes no local eram civis. De acordo com a apuração da imprensa local, três mísseis foram utilizados na ação, sendo que um deles atravessou o telhado e abriu um buraco de 1,5 metro no chão. Imagens divulgadas na internet mostram fragmentos de mísseis de cruzeiro e a destruição de uma torre de telecomunicações na orla da cidade.
O capitão da Marinha Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos EUA (Centcom), declarou que a instituição investiga as notícias, mas afirmou que as forças militares americanas não atacam civis. Washington justificou a operação citando tentativas da Guarda Revolucionária Islâmica de atacar navios comerciais e militares no Estreito de Ormuz.
Especialistas em armamentos consultados por agências internacionais indicam que o armamento utilizado teria sido um míssil de cruzeiro avançado, guiado com precisão e lançado do ar. Um morador ferido relatou que ouviu jatos sobrevoando a região antes de explosões atingirem a casa do casamento.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que os ataques completam o “catálogo de atrocidades” dos Estados Unidos contra a nação iraniana. A ação ocorre em meio a uma escalada de conflitos na região, com Teerã respondendo a ataques americanos com o uso de drones e mísseis.


