A jornalista e ativista norte-americana Gloria Steinem morreu aos 92 anos em sua casa, em Nova York, na quarta-feira (2). O anúncio foi feito nesta quinta-feira (3) pela fundação que leva seu nome. A causa da morte não foi divulgada.
Steinem atuou por mais de cinco décadas na defesa dos direitos reprodutivos e da maior participação feminina na política. Na década de 1970, fundou a revista Ms., publicação escrita por mulheres e voltada à cobertura de notícias ligadas ao feminismo. Ela se consolidou como liderança do movimento durante a segunda onda do feminismo nos Estados Unidos, no fim dos anos 1960.
A entrada no ativismo ocorreu após a jornalista ter reportagens sobre o tema negadas por editores no início da carreira. Em 1963, Steinem ganhou notoriedade ao se disfarçar de “coelhinha da Playboy” por 11 dias para denunciar condições degradantes no império de Hugh Hefner. Em 1968, ajudou a fundar a New York Magazine, onde escreveu o artigo “Depois do ‘Black Power’, a Libertação das Mulheres”.
Na esfera política, a ativista encabeçou manifestações que pressionaram o Congresso norte-americano por mais direitos para as mulheres. Em 1971, fundou o Caucus Político Nacional para Mulheres ao lado de Bella Abzug, Shirley Chisholm e Betty Friedan. Também criou a Coalizão de Mulheres Sindicalistas, o Centro de Mídia de Mulheres, a Eleitores pela Escolha e a Fundação Ms. para as Mulheres.
Nascida em 25 de março de 1934, em Toledo, Ohio, Steinem revelou que a luta pelo direito ao aborto foi um marco em sua trajetória, tendo passado por um procedimento secreto aos 22 anos. Em 2013, recebeu do então presidente Barack Obama a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil dos Estados Unidos.
Casada aos 66 anos com o ambientalista David Bale, falecido em 2003, a jornalista manteve a agenda de viagens e discursos mesmo após os 80 anos. Suas pautas incluíam a igualdade de gênero, a reconciliação coreana e o combate à mutilação genital.


