A campanha de Augusto Cury, candidato do Avante à Presidência da República, concentrou a estratégia de anúncios nas redes sociais da Meta em mulheres, jovens e eleitores do Nordeste. O movimento coincide com a subida do escritor de 2% para 10% nas intenções de voto, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2), superando Renan Santos.
Um estudo de Fábio Vasconcellos, professor da Uerj e da PUC-Rio, indica que 55,9% do público impactado pelos anúncios de Cury entre 16 de agosto e 1º de setembro está no Nordeste. Os estados da Bahia (11,8%), Ceará (10,1%) e Pernambuco (8,3%) registraram os maiores alcances. As mulheres representam 53% dos usuários atingidos pela estratégia digital.
Na faixa etária, 37,3% das contas impactadas pertencem a eleitores de 18 a 24 anos, índice superior ao de Ronaldo Caiado, que atingiu 17% desse público. Cury impulsionou 88 anúncios no período, ficando atrás apenas de Caiado, que publicou 218 peças. Romeu Zema e Lula impulsionaram 40 e 10 anúncios, respectivamente, enquanto Flávio Bolsonaro e Renan Santos não utilizaram a ferramenta.
O investimento de Cury foi de R$ 48,9 mil, o menor volume financeiro entre os citados, mas alcançou 15,39 milhões de contas. O número supera os 14,09 milhões de Caiado, 7,24 milhões de Zema e 2,84 milhões de Lula. Vasconcellos afirma que a estratégia é acertada por buscar eleitores que evitam embates diretos ou expressam descontentamento com a política.
Apesar do alcance, o cientista político explicou que não é possível correlacionar diretamente os anúncios ao crescimento nas pesquisas. Segundo Vasconcellos, os dados da Quaest mostram que Cury cresceu entre os independentes, que não se identificam com Lula ou Flávio Bolsonaro. O pesquisador associa a ascensão ao momento do início da campanha digital e ao discurso de esperança e pacificação do candidato.


