A geração baby boomer detém um patrimônio líquido de quase US$ 90 trilhões, o equivalente a 52% de toda a riqueza das famílias nos Estados Unidos. Segundo o economista Ed Yardeni, esse volume de recursos sustenta o consumo nacional, que representa 70% do PIB do país, configurando o que ele chama de economia em formato de G.
Os boomers controlam 54% das ações e fundos mútuos das famílias, avaliados em quase US$ 30 trilhões, além de 41% de todos os imóveis residenciais. Yardeni afirma que a dinâmica permite que essa geração mantenha o ritmo de gastos apesar da inflação e dos juros elevados, já que as taxas altas funcionam como fonte de renda para quem possui reservas em fundos do mercado monetário.
O cenário contrasta com a situação de millennials e da geração Z. Jovens enfrentam hipotecas caras e maior sensibilidade aos juros, o que dificulta a entrada no mercado imobiliário. A relutância dos proprietários mais velhos em vender casas com financiamentos antigos e juros baixos reduz a oferta de imóveis e eleva os preços, valorizando ainda mais o patrimônio dos boomers.
A inteligência artificial também atua como fator de proteção para os mais velhos. Como muitos já estão aposentados, seus gastos não dependem de salários ou segurança no emprego, ao contrário das gerações mais novas, que podem ter seus postos de trabalho transformados pela tecnologia.
A transferência de riqueza para os filhos já ocorre em vida. Um relatório da Visa Business and Economic Insights indicou que 25% dos millennials proprietários de imóveis receberam ajuda dos pais para a entrada da compra. A empresa informou que muitos boomers utilizam o patrimônio para superar obstáculos financeiros imediatos dos filhos.
Apesar do volume global, a Visa alertou que a herança final pode ser menor do que os números sugerem. A estimativa é que sejam transferidos US$ 36 trilhões dos US$ 93 trilhões totais, após descontos de dívidas, impostos e gastos com aposentadoria. A empresa apontou que muitos boomers possuem dívidas significativas em cartões de crédito e empréstimos pessoais, reduzindo a flexibilidade financeira.

