O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central informou, na ata de sua 66ª reunião, que o endividamento continua a pressionar a condição financeira de famílias e empresas. O órgão registrou que o comprometimento de renda das famílias atingiu o maior nível da série histórica, influenciado por modalidades de crédito mais caras.
O comitê observou que, embora a maioria das corporações demonstre resiliência, houve redução no número de empresas com aumento do lucro líquido. Simultaneamente, cresceu a quantidade de companhias com elevação da despesa financeira líquida.
Níveis elevados de ativos problemáticos e de probabilidade de default indicam que a materialização de risco no crédito deve permanecer alta. O Comef afirmou que o cenário exige cautela e diligência adicionais no mercado de crédito.
O Banco Central estuda medidas para reforçar a proteção do sistema financeiro e tornar a oferta de empréstimos mais sustentável, conforme a impulsão da dívida pelo crédito ao consumidor.
No mercado de capitais, o órgão manifestou preocupação com estruturas de fundos de investimento com múltiplas camadas. Segundo o comitê, a organização em cadeias com vários níveis aumenta a complexidade e a opacidade na identificação das exposições, o que dificulta a avaliação dos riscos assumidos pelos investidores.
A apuração indica que essa questão é particularmente relevante nos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Essas estruturas mantiveram aceleração no trimestre e ampliaram a participação no crédito amplo como financiamento a empresas, mantendo conexões com instituições reguladas pelo BC via cessão de ativos e investimento em cotas.


