O Banco Central liquidou extrajudicialmente, nesta quarta-feira (3), a corretora Trustee DTVM e a Banvox Distribuidora, ambas ligadas ao empresário Mauricio Quadrado. A decisão ocorreu devido a violações de normas legais do setor. A Trustee atuava como prestadora de serviços para o Banco Master, instituição onde Quadrado foi sócio e diretor.
O empresário foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal em janeiro deste ano, durante a Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de fraudes no Banco Master. Na ocasião, a assessoria de Quadrado afirmou que as operações do executivo sempre ocorrem dentro da lei.
A segunda fase da referida operação investigou o uso de fundos de investimento para desvio de recursos e a compra de títulos podres. A Trustee também foi alvo da operação Carbono Oculto, em 28 de agosto de 2025, sob suspeita de operar com recursos de alvos ligados à organização criminosa PCC.
Quadrado atuou no Bradesco na década de 1990 como diretor de mercado de capitais e coordenou a listagem da Aracruz Papel e Celulose na Bolsa de Nova York. Ele integrou o grupo que liderou privatizações no governo de Fernando Henrique Cardoso, incluindo a da Vale.
Entre 2007 e 2020, o executivo foi acionista e diretor de Investment Banking da corretora Planner. A instituição também foi alvo da Polícia Federal em maio deste ano, na oitava fase da Compliance Zero, em apurações sobre investimentos no Rioprevidência, plano de aposentadoria de servidores estaduais.
No Banco Master, Quadrado liderou fusões, aquisições e privatizações. Em 2024, ele vendeu sua participação na instituição, estimada entre 20% e 30%, para fundar o banco de investimentos Letsbank. Em janeiro de 2025, anunciou a intenção de comprar o banco Digimais, mas desistiu da aquisição em abril do mesmo ano.


