O diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton Aquino, afirmou que o órgão prepara medidas de transparência e macroprudenciais para combater o alto endividamento dos brasileiros. Em evento da Zetta, nesta terça-feira (1), o diretor criticou a propaganda de apostas esportivas em aplicativos de instituições financeiras e indicou que as novas regras focarão em cartões de crédito e crédito não consignado.
Aquino declarou que as apostas são um elemento central para a inadimplência das famílias e classificou como “fake news” qualquer afirmação contrária. O diretor questionou a viabilidade de carteiras digitais que abasteçam crédito para apostas ou a presença de links para sites de bets nas páginas iniciais de aplicativos bancários.
A agenda de transparência do BC prevê, ainda, a exigência de que a oferta de crédito via Pix detalhe as taxas cobradas e o custo efetivo total da operação. Segundo o diretor, o momento do mercado de crédito exige foco na saúde financeira, superando a etapa de inclusão.
As medidas macroprudenciais visam mitigar riscos de modalidades de crédito mais onerosas, buscando fortalecer a resiliência do sistema financeiro. Aquino informou que a discussão ocorrerá no Conselho Monetário Nacional (CMN) e que novidades devem ser anunciadas nos próximos meses.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou anteriormente que o foco é garantir que as instituições financeiras tenham provisões adequadas ao risco real da concessão de crédito. O objetivo é evitar o crescimento artificial de empresas que assumem riscos desmedidos sem que o prejuízo final recaia sobre seus próprios balanços.
Sobre o mercado de cartões, Aquino defendeu a responsabilidade das bandeiras pelo risco residual da modalidade. O debate ocorre após a liquidação de instituições como Will Bank e Entrepay. O diretor afirmou que, em cessões de crédito, o usuário final deve ser privilegiado para garantir o acesso ao recurso em casos de falência de credenciadoras.


