Grandes bancos brasileiros ampliaram o provisionamento para perdas com crédito no segundo trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025. Com exceção do Itaú, as instituições registraram aumento na inadimplência acima de 90 dias, refletindo o endividamento recorde das famílias brasileiras.
O Banco do Brasil registrou a maior Provisão para Devedores Duvidosos (PDD), com alta de 16,4% em um ano, saltando de R$ 15,9 bilhões para R$ 18,5 bilhões. O Bradesco teve o maior aumento percentual no indicador, de 23,5%. Outras instituições também elevaram as reservas: o Santander subiu 11,8% e o Itaú ampliou o provisionamento em 8,2%.
A inadimplência acima de 90 dias piorou na base anual para a maioria. No Banco do Brasil, o índice subiu de 4% para 5,6%, contribuindo para a queda de 50% no lucro líquido ajustado, que foi de R$ 7,3 bilhões. O Santander viu o indicador subir de 2,6% para 3,3%, com lucro líquido gerencial de R$ 3 bilhões, recuo de 17,6%.
O Bradesco teve alta de 0,1 ponto percentual na inadimplência, mas registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões, alta de 16,2%. Já o Itaú manteve a estabilidade no indicador em 1,9% e lucrou R$ 12,4 bilhões, crescimento de 7,8%. O CEO da instituição, Milton Maluhy Filho, afirmou em 5 de agosto que manterá postura cautelosa na concessão de crédito.
Segundo o Banco Central, a inadimplência atingiu 4,9% em julho, nível recorde desde 2011, mesmo com o programa Novo Desenrola Brasil. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apurou que 82% das famílias brasileiras estavam endividadas em julho de 2026, o maior patamar desde 2015.
Lucas Xavier, sócio da AW Capital, explicou que o Banco do Brasil é mais pressionado por fomentar setores como o agronegócio, que enfrenta inadimplência alta. Fernando Benavenuto, sócio da Anvex Capital, afirmou que o efeito da taxa Selic, atualmente em 14% ao ano, contamina os balanços por vários trimestres após o pico dos juros.


