Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, mostram que o banqueiro tratava o pagamento ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, como prioridade da instituição. Os dados constam em investigação da Polícia Federal e tornaram-se públicos nesta terça-feira (1º)
As informações foram divulgadas após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, retirar o sigilo da ação. Em conversa com uma funcionária, Vorcaro determinou que o repasse não poderia atrasar nem um dia, classificando-o como o pagamento “mais importante que temos”. O banqueiro chegou a orientar que a transação fosse feita “sem nota” e “do jeito que for”.
O acordo, firmado em janeiro de 2024, previa repasses mensais líquidos de R$ 3 milhões. Registros mostram a transferência de R$ 3.422.268,14 do Banco Master para o escritório de Viviane de Moraes. Em fevereiro de 2024, Vorcaro questionou Fabiano Zettel e o então tesoureiro Ângelo Antônio Ribeiro da Silva sobre a realização do primeiro pagamento, que deveria ocorrer até o quinto dia útil.
Em 15 de março de 2024, o ex-ministro das Comunicações, Fábio Faria, procurou Vorcaro para tratar dos repasses. Faria solicitou o contato do responsável pelas transferências e afirmou ao banqueiro que “o careca não pode atrasar”.
Diante de um novo atraso na mesma data, Vorcaro demonstrou irritação em mensagens ao tesoureiro, afirmando que a falha era “surreal” e que teriam problemas. O banqueiro ordenou que o pagamento fosse efetuado imediatamente.
O ministro Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a defesa de Daniel Vorcaro não responderam aos questionamentos sobre as mensagens e o relatório da Polícia Federal. Fábio Faria não foi localizado para comentar o conteúdo.


