Mais de 80 pessoas foram mortas entre outubro de 2025 e julho de 2026 após serem falsamente acusadas de roubar órgãos genitais em países africanos, segundo apuração da Unidade Global de Desinformação da BBC. A crença de que um toque no ombro causaria o desaparecimento dos órgãos circulou em redes sociais e gerou ataques em ao menos seis nações.
A investigação identificou episódios na Tanzânia, Zâmbia, Moçambique, Quênia e Malawi, além de outros países. As acusações, feitas sem provas, resultaram em agressões e linchamentos. Em Moçambique, o país mais atingido, a polícia informou que 55 pessoas morreram em seis semanas, incluindo profissionais de saúde, funcionários públicos e um policial.
O presidente de Moçambique, Daniel Chapo, condenou as mortes e afirmou que o governo não encontrou evidências médicas de que qualquer pessoa tenha perdido partes do corpo. Autoridades locais mencionaram que os temores podem estar relacionados à síndrome de Koro, uma condição mental caracterizada pela histeria de retração dos órgãos genitais.
No Quênia, cinco pessoas morreram em ataques nos condados de Kwale e Mombaça. O comissário de Mombaça, Mohamed Noor, disse que criadores de conteúdo disseminaram as alegações para atrair visualizações e aumentar o engajamento. No Malawi, oito pessoas foram mortas em episódios semelhantes.
Um mecânico tanzaniano contou que foi espancado por uma multidão em Tunduma, na fronteira com a Zâmbia, após ser acusado do crime. O homem perdeu a consciência durante as agressões e descobriu, ao acordar em um hospital dois dias depois, que um amigo que o acompanhava havia morrido.
Vídeos no TikTok e Facebook, com relatos de homens afirmando que seus órgãos diminuíram após contato com desconhecidos, ajudaram a propagar o pânico. Para o autor Julien Bonhomme, o ambiente digital mudou a circulação dessas histórias, pois as pessoas agora assistem a vídeos de indivíduos angustiados, o que torna a informação não verificada mais confiável.
Governos e polícias realizam campanhas de conscientização para conter a violência. A Meta informou que analisa conteúdos denunciados e tomará medidas contra publicações que violem suas políticas. O TikTok não respondeu aos pedidos de comentário.


