O Ibovespa avançou aos 189 mil pontos e o dólar recuou para R$ 5,08 nesta terça-feira (8), reagindo a pesquisas de intenção de voto que mostram empate ou vantagem do senador Flávio Bolsonaro sobre o presidente Lula no segundo turno das eleições. O movimento ocorre apesar de um cenário externo adverso.
A valorização dos ativos brasileiros foi impulsionada por dados da Quaest, que indica empate entre os candidatos, e da BTG/Nexus, que coloca Flávio Bolsonaro numericamente à frente. A Quantitas Asset Management afirmou que imbróglios no Supremo Tribunal Federal (STF) e o caso Lulinha beneficiam a candidatura do senador, atribuindo a ele ao menos 50% de chance de vitória.
Gestoras como Ibiuna e Verde têm utilizado opções de EWZ para aumentar a exposição ao país, estratégia considerada menos arriscada do que a compra direta de ações na B3. A RPS Capital também elevou a exposição a ativos locais, focando em ações defensivas e setores cíclicos, como incorporadoras de baixa renda, prevendo que a competitividade da oposição gere reprecificação de ativos.
Na semana passada, o fluxo estrangeiro para a Bolsa registrou compras líquidas de R$ 2,8 bilhões, elevando as entradas no ano para mais de R$ 20 bilhões. Enquanto isso, fundos multimercados receberam aportes líquidos de R$ 300 milhões, contrastando com resgates de R$ 100 milhões em fundos de ações.
O Bank of America alterou a recomendação para ações brasileiras de neutro para overweight (compra). A instituição citou a possibilidade de a taxa Selic recuar para 11,25% em 2027, o que impulsionaria a avaliação das ações, que atualmente operam com desconto de 10% em relação à média histórica, excluindo commodities.
No mercado cambial, o JPMorgan indicou que a dinâmica fiscal será a principal fonte de preocupação para ditar a reação do mercado aos resultados eleitorais. O banco adotou estruturas alavancadas em opções de dólar com alvos entre R$ 5 e R$ 4,80, apostando em uma valorização moderada do real.


