O Ibovespa fechou em alta de 3,05%, aos 185.205 pontos, nesta quarta-feira (2), atingindo o maior nível desde 6 de maio. O movimento, que marca a 11ª sessão seguida de valorização, foi impulsionado por dados da pesquisa Quaest e expectativas do mercado financeiro sobre a alternância de poder no próximo governo.
O desempenho reflete a divulgação de pesquisa que mostra a diferença de um ponto percentual entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) em um possível segundo turno. Segundo Nicolas Borsoi, estrategista-chefe da Tulett Prebon, a queda na vantagem do atual presidente contribuiu para a melhora geral dos ativos brasileiros e aumentou a disposição dos investidores ao risco.
A movimentação também impactou a redução dos juros futuros, que estimam a trajetória da Taxa Selic e da inflação. Fernando Siqueira, chefe de pesquisa da Eleven Research, afirmou que os dados indicam que a continuidade do governo Lula não é tão óbvia quanto se imaginava.
A possibilidade de mudança de governo foi reforçada por notícias sobre a conexão entre o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Para Frederico Nobre, gestor de ações da Warren Investimentos, a revelação de trocas de mensagens entre ambos tende a prejudicar a campanha de reeleição do incumbente.
Bruno Lima, gestor de ações da Bradesco Asset Management, explicou que o mercado vê maior chance de controle da dívida pública e do PIB em um eventual novo mandato. Segundo ele, candidatos de direita tendem a ter maior propensão a realizar ajustes necessários, como o controle de despesas e privatizações.
A perda de fôlego do PIB no segundo trimestre, divulgada na terça-feira, também abriu espaço para a expectativa de duas reduções de 0,25 ponto na Taxa Selic, em setembro e novembro, podendo levá-la a 13,5%. Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, informou que a perspectiva de juros menores favorece a entrada de recursos internacionais, o que resultou na queda do dólar para R$ 5,10.


