As bolsas de Nova York abriram em alta nesta quarta-feira (2), impulsionadas pelo otimismo com empresas de inteligência artificial. O movimento ocorre apesar da pressão sobre os títulos públicos globais, que levou os rendimentos dos Treasuries americanos e de papéis soberanos de outras grandes economias aos maiores níveis em anos.
Na abertura, o Dow Jones Industrial Average subia 0,64%, aos 53.103 pontos. O S&P 500 avançava 0,40%, a 7.662 pontos, e o Nasdaq Composite ganhava 0,31%, aos 26.180 pontos. O rendimento do Treasury americano de 10 anos ultrapassou 4,8% e atingiu 4,814% durante a sessão, aproximando-se da marca de 5%.
A escalada dos yields reflete receios com a inflação, alta do petróleo e preocupação com o endividamento das principais economias. O movimento atinge outros mercados: os títulos alemães de dez anos chegaram a 3,375%, a maior marca desde 2011, enquanto no Japão a taxa superou 3%, patamar não visto há três décadas. Os títulos britânicos de dez anos alcançaram cerca de 5,25%, máxima desde 2008.
Thierry Wizman, estrategista global de câmbio e taxas de juros do Macquarie Group, afirmou que os rendimentos mais altos prejudicam o mercado de ações. Segundo ele, taxas elevadas levam analistas a descontar lucros futuros de forma mais agressiva, pressionando os múltiplos preço/lucro das companhias. George Maris, diretor de investimentos da Principal Asset Management, informou que o custo do risco está aumentando globalmente.
O petróleo impulsiona a preocupação inflacionária. Os contratos futuros do WTI chegaram à região de US$ 90 por barril nesta semana, e o Brent era negociado acima de US$ 94. A alta decorre da intensificação de confrontos entre Estados Unidos e Irã, elevando o temor de interrupções na oferta de energia e escalada do conflito no Oriente Médio.
Michael Metcalfe, chefe de estratégia macroeconômica da State Street, disse que a narrativa se mistura a preocupações de longo prazo sobre a trajetória fiscal, citando orçamentos da França e do Reino Unido. Investidores monitoram agora a possibilidade de aperto monetário pelo Federal Reserve, Banco Central Europeu e Banco do Japão.


