O Brasil registrou avanços em três indicadores do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2025, divulgados nesta terça-feira (8). Os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram melhora na avaliação dos professores, aumento da proibição de celulares em escolas e maior confiança dos jovens na educação.
Na área de Ciências, foco desta edição, 82% dos estudantes brasileiros afirmaram que o professor demonstra interesse na aprendizagem na maioria das aulas. Outros 78% relataram que o docente continua ensinando até que o aluno entenda, e 76% disseram que recebem ajuda extra. Os índices superam a média da OCDE, que registrou 69%, 66% e 73%, respectivamente.
O número de escolas que proibiram o uso de celulares cresceu 44 pontos percentuais entre 2022 e 2025, saltando de 37% para 81%. O resultado coloca o país como um dos poucos no mundo a ultrapassar a marca de 80% de colégios sem smartphones. A média da OCDE avançou no mesmo período, mas de forma menor, passando de 34% para 49%.
A evolução ocorreu após lei sancionada em janeiro de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que veta aparelhos eletrônicos portáteis pessoais nas escolas. A norma visa proteger a saúde mental, física e psíquica de crianças e adolescentes, afastando-os do uso de redes sociais e da competição por atenção com plataformas digitais.
A proporção de jovens de 15 anos que consideram a escola uma perda de tempo caiu para 16% em 2025, uma redução de quase sete pontos percentuais. Na OCDE, esse índice é de 24%. O relatório indica que a descrença na escola diminuiu em 40 países, embora tenha crescido em nações como Áustria, Chéquia e Polônia.
Apesar dos avanços comportamentais, o aprendizado no Brasil segue estagnado desde 2015. Entre 2022 e 2025, a nota em Ciências subiu seis pontos, de 403 para 409. Já em Leitura e Matemática, houve queda: a primeira baixou de 410 para 408 e a segunda de 379 para 377. A distância para a média da OCDE em Matemática permanece alta, com 92 pontos de diferença.
O Pisa é realizado a cada três anos e contou com a participação de 30.140 estudantes brasileiros de 1.053 escolas nesta edição. A amostra representa 76% da população de adolescentes nessa faixa etária no país. A avaliação consiste em testes de múltipla escolha e dissertativas, além de um questionário contextual sobre a vida escolar e familiar.


