O Brasil integra o grupo de mercados com expansão mais rápida de biometano no mundo, segundo o estudo From Waste to Wheels, encomendado pelo Instituto MBCBrasil. O levantamento posiciona o país ao lado de potências como China, Estados Unidos, Índia, Espanha, Irlanda, Áustria e Bélgica no avanço do combustível renovável para transportes.
O mapeamento abrange cerca de 40 países, dos quais quase 30 já utilizam o combustível no transporte e 12 operam em escala comercial. Em mercados consolidados, como Suécia, Alemanha e França, o uso é mais difundido. Na Califórnia, por exemplo, 97% do combustível gasoso utilizado nas estradas já é biometano.
No cenário nacional, o país opera 755 plantas de biogás e 345 usinas sucroenergéticas. Apesar da estrutura, o aproveitamento é inferior a 2% do potencial de 41,4 bilhões de m³ por ano estimado apenas para o setor sucroenergético. Em São Paulo, o combustível já apresenta competitividade frente ao diesel, com potencial para substituir 50% do fóssil no frete regional.
A partir de 2026, a Lei do Combustível do Futuro estabelece metas de redução de emissões de gases de efeito estufa no mercado de gás natural. Para o primeiro ano, a meta é de 0,5%, com possibilidade de ampliação gradual até o limite de 10%.
Um exemplo operacional está na usina Cocal, em Narandiba (SP), que desde 2020 produz cerca de 50 mil Nm³ diários de biometano a partir de vinhaça e torta de filtro. A planta utiliza biodigestores verticais com monitoramento de pH e temperatura em tempo real.
José Eduardo Luzzi, presidente do Conselho de Administração do Instituto MBCBrasil, afirmou que a inclusão do país na lista é um reconhecimento do potencial brasileiro e um chamado para destravar o aproveitamento da matéria-prima. A professora Gláucia Mendes Souza, da USP e autora do estudo, disse que o volume de resíduo agroindustrial disponível confere ao Brasil uma vantagem competitiva em relação a outras economias.


