O Brasil possui cerca de 94 milhões de leitores digitais que utilizaram dispositivos eletrônicos para acessar livros, notícias e audiolivros nos últimos 12 meses. O levantamento Perfil e Hábito do Leitor Digital Brasileiro, realizado pela Nielsen BookData, indica que o smartphone é o principal meio de consumo desses conteúdos no país.
A pesquisa, feita entre 1º e 11 de junho, revela que 72% dos leitores de livros eletrônicos ou audiolivros utilizam o celular. Entre os que acessam outros tipos de textos, a preferência pelo aparelho móvel sobe para 85%. Os conteúdos mais consumidos foram notícias e livros digitais, seguidos por artigos em blogs e audiolivros.
O perfil predominante dos leitores digitais é de jovens adultos entre 18 e 44 anos, com 56% de presença feminina. Em relação à renda, 64% dos entrevistados integram as classes C (46%), D e E (18%), enquanto a classe B representa 29% e a A, 7%. Metade dos usuários se declara branca, 37% são pardos e 11% são pretos.
Sobre a motivação, 61% dos leitores de livros escolheram a versão digital pela facilidade de acesso e 48% pela portabilidade de carregar vários títulos em um único dispositivo. O custo inferior em relação ao papel foi o terceiro motivo mais citado. Quanto à origem do conteúdo, 48,8% utilizaram links ou aplicativos não oficiais, enquanto 46,4% recorreram a sites institucionais ou obras em domínio público.
Rodrigo Meinberg, executivo-chefe da plataforma Skeelo, afirmou que as telas se tornaram aliadas na formação de leitores ao superar desafios de distribuição. Ele citou dados do IBGE de 2018, que mostram que apenas 18% dos 5.570 municípios brasileiros possuíam livrarias, contrastando com o alcance da rede móvel de telefonia.
Rafael Lunes, presidente do Instituto para a Democratização da Leitura Digital, declarou que a tecnologia permitiu que a cultura rompesse barreiras da exclusão física. Lunes mencionou a plataforma MEC Livros, do Ministério da Educação, que superou 1,1 milhão de usuários e 750 mil downloads em menos de seis meses.


