O economista Marcos Troyjo afirmou nesta terça-feira (1º) que o Brasil apresenta a combinação mais perigosa entre as economias emergentes do G20, devido à alta proporção da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), juros elevados e o peso do serviço da dívida no caixa público.
As declarações foram feitas durante o seminário Lide Cenários do Brasil, em São Paulo. Troyjo utilizou a imagem de um cabo de guerra para descrever a situação do país, onde forças externas favoráveis enfrentam problemas internos que exigem correções.
Para o economista, conflitos entre Rússia e Ucrânia, a situação no Oriente Médio e a disputa entre Estados Unidos e China criam oportunidades para o Brasil em segurança alimentar, diversidade energética e minerais críticos. Ele informou que dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos colocam o país em segundo lugar nas reservas comprovadas de terras raras.
Troyjo comparou o momento atual com setembro de 2006, quando investidores focavam em China, Rússia, União Europeia e Estados Unidos. Segundo ele, essas economias agora apresentam menor atratividade, o que aumenta a relevância das vantagens comparativas brasileiras, refletidas no fluxo de investimento estrangeiro direto nos últimos quatro anos.
A análise positiva do cenário externo contrasta com a situação fiscal. Em estudo publicado há duas semanas sobre as 10 principais economias emergentes do G20, Troyjo apontou que a Índia possui dívida estabilizada e a China, embora com dívida superior a 100% do PIB, mantém juros baixos. A Indonésia teria conseguido reverter a trajetória de seu endividamento.
Sobre as eleições de 2026, o economista afirmou que uma eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a continuidade da atual política econômica não devem produzir uma correção significativa da dívida. Troyjo disse não estar entusiasmado com o início de reformas estruturais que considera essenciais para o país.


