O Brasil realiza neste sábado (5) um teste para qualificar a Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R), laboratório capaz de atingir mais de 100 quilômetros de altitude. A operação ocorre no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, com a participação da Força Aérea Brasileira (FAB).
A plataforma é transportada pelo foguete brasileiro VS-30 V16, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). O equipamento leva experimentos científicos a altitudes que marcam o início do espaço, mantendo condições de microgravidade por um período de seis a oito minutos durante o voo.
Nesta etapa, a PSM-R transporta biodosímetros de radiação e microrganismos liofilizados para avaliar os efeitos do ambiente espacial em diferentes materiais. A microgravidade possibilita estudos sobre agricultura espacial, medicamentos, processos de combustão e desenvolvimento de materiais que não podem ser observados na superfície terrestre.
O objetivo central da missão é validar o sistema de recuperação. Após atingir a altitude prevista, a plataforma retorna à Terra presa a um paraquedas, permitindo que os materiais sejam recuperados para análise posterior. Atualmente, grande parte das pesquisas brasileiras nesse formato depende apenas de telemetria.
A operação integra a Operação Potiguar 2. A FAB informou que o foco é verificar o funcionamento do sistema de recuperação em condições reais de voo. Se qualificado, o país poderá realizar lançamentos suborbitais com maior frequência, permitindo que empresas e universidades enviem e recuperem experimentos.
A Agência Espacial Brasileira (AEB) considera a criação de tecnologias nacionais de foguetes, satélites e infraestrutura de solo como parte dos esforços para ampliar a autonomia do país no setor. O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, inaugurado em 1965, já participou de centenas de lançamentos de foguetes de sondagem.


