Uma cadela resgatada com ferimentos graves e sem uma das orelhas morreu nesta terça-feira (1º) após contrair cinomose e enfrentar anemia severa. A Polícia Civil informou que a ex-tutora do animal não terá aumento de pena pela morte, pois não foi possível comprovar o nexo causal entre a conduta da dona e o óbito.
O animal, identificado como Fênix, foi resgatado pelo projeto independente Patas com Propósito com uma lesão exposta na cabeça e infecção parasitária causada por larvas de moscas. Segundo Michelle, protetora do projeto, a cadela passou por transfusão sanguínea e recebeu alta do quadro primário em 20 de agosto, mas desenvolveu cinomose e erliquiose, doença transmitida por carrapatos.
A morte ocorreu após uma recaída súbita. A cadela foi levada à Clínica Veterinária Faro, onde apresentou prostração e sofreu uma convulsão. De acordo com a protetora, o animal não recuperou a consciência após a medicação para controlar a crise convulsiva e faleceu durante o sono.
A delegada Simelli Lemes, titular do Grupo de Proteção Animal (GPA), explicou que a ex-tutora continuará respondendo apenas por maus-tratos qualificados. A autoridade afirmou que o intervalo de tempo entre o resgate e a morte, somado ao surgimento de doenças supervenientes, inviabiliza a majoração da pena prevista para casos de morte do animal.
A Polícia Civil decidiu não realizar necropsia para incluir a morte na responsabilização da tutora. A delegada informou que aguarda a conclusão do laudo e a análise de imagens para evitar brechas em justificativas. O inquérito tem prazo de 30 dias, podendo ser prorrogado.
O resgate ocorreu após denúncias de que a residência era utilizada para a procriação e venda de filhotes, que eram descartados ao deixarem de dar lucro. Vizinhos relataram que a ex-tutora tinha conhecimento da situação da cadela, que permaneceu semanas na porta da própria casa antes de ser acolhida.


