Pesquisadores identificaram que o cérebro de uma vítima da erupção do Monte Vesúvio, ocorrida em 24 de agosto do ano 79 d.C., foi transformado em uma substância semelhante a vidro. A descoberta, publicada no The New England Journal of Medicine, resultou da análise de um crânio recuperado em Herculano, onde a pessoa foi encontrada deitada em uma cama de madeira.
A substância preta e vítrea encontrada no interior do crânio continha proteínas associadas ao tecido cerebral, além de ácidos graxos adípico e margárico, presentes no sebo e no cabelo. Os cientistas acreditam que o calor extremo incendiou a gordura corporal, vaporizou o tecido mole e vitrificou as proteínas gordurosas do cérebro.
A análise da madeira carbonizada no local permitiu determinar que as temperaturas atingiram 510 graus Celsius. Segundo o estudo, a preservação ou vitrificação de tecido cerebral em remanescentes tão antigos é considerada rara. Os autores sugerem que o caso pode abrir discussões científicas sobre o processo de vitrificação em restos humanos.
Outra pesquisa, publicada na revista Antiquity, revisou a temperatura da exposição de outras vítimas. Ao analisar as costelas de 152 esqueletos, estudiosos verificaram a presença de colágeno nos ossos, indicando que as temperaturas para esse grupo permaneceram abaixo de 400 graus Celsius.
Tim Thompson, antropólogo biológico aplicado da Universidade de Teesside, explicou que as vítimas não foram queimadas a altas temperaturas, mas sofreram alterações na cristalinidade óssea. Ele afirmou que galpões para barcos, conhecidos como fornici, serviram de abrigo, mas acabaram retendo as pessoas.
Três escavações nesses espaços abobadados revelaram os restos mortais de ao menos 340 pessoas. Thompson disse que as paredes dos abrigos e a própria massa corporal das vítimas dispersaram o calor, o que teria causado a sensação de serem assadas vivas enquanto se sufocavam com gases tóxicos.

